PostHeaderIcon Catedral - A Casa da Igreja

an image

O espaço celebrativo é o lugar onde acontece a ação litúrgica da assembléia cristã. Este espaço é a domuns eclesiae, a casa da igreja, o espelho da própria assembléia reunida. O vocábulo “catedral” deriva do grego “Káthedra”, que se traduz como “cadeira” do bispo. No latim, a expressão “ecclesia cathedralis” é utilizada para designar a igreja que contém a cátedra oficial de um bispo. O adjetivo cathedra foi ao longo dos tempos assumindo o caráter de substantivo. Hoje é o termo mais comumente utilizado para designar estas igrejas. A designação “ecclesia cathedralis” foi aparentemente utilizada pela primeira vez nos atos do ConcÍlio de Tarragona em 516. Outra designação que era utilizada para “ecciesia cathedralis” era “ecciesia mater”, ou “Igreja-Mãe”, indicando-se assim que esta seria a Igreja “Mãe” da Diocese. Outro nome ainda era “ecciesia major”, ou “Igreja-Mor”. Também por ser considerada a casa principal de Deus na região, a “ecciesia cathedralis” era designada como “Domus Dei” (Casa de Deus), de onde deriva a palavra italiana “Duomo” e o prefixo germânico “dom”- para designar “igreja”. Em português, utiliza-se o termo sé catedral — ou apenas “sé” — para designar uma catedral, sendo esta designação derivada da palavra “Sede”, como em Santa Sé (Santa Sede).

Nos primeiros séculos do cristianismo, a cátedra foi objeto de muita veneração. No século II, Tertuliano aconselhava os cristãos a visitar as igrejas apostólicas nas quais estavam as cadeiras dos apóstolos. Santo Agostinho, no século V, destacava a importância das comunidades cristãs que mereceram possuir as sedes dos apóstolos e receber suas epístolas.

Esta veneração levou a dedicar festas especiais para honrar a cátedra de São Pedro em Roma e em Antioquia, veneração esta que continuou para as cátedras dos bispos, sucessores dos apóstolos. Daí a importância que adquiriu a igreja onde estava a cátedra do bispo. Em todas as dioceses do mundo, a catedral é lugar de referência da fé, e lugar sagrado onde os fiéis de uma igreja particular se reúnem especialmente por alguma significativa celebração para exprimir e proclamar a própria fé é a própria unidade em Cristo.

A catedral é o centro eclesial e espiritual da Diocese. A catedral é o símbolo visível da unidade de toda a comunidade cristã. Ela tem o nome de catedral porque nela está a cátedra do bispo, o sucessor dos apóstolos, garantia da vitalidade e da unidade da Igreja.

A Dedicação

Todo edifício destinado à reunião do povo de Deus seja dedicado ao Senhor em rito solene. Por que é importante essa consagração? Pelo fato de esse edifício ser sinal do povo de Deus que ali se reúne para ouvir a palavra de Deus, rezar em comum, freqüentar os sacramentos, celebrar a eucaristia. Santo Agostinho, já no século V, se referia à consagração da igreja a Deus e não aos mártires:

“Nós não erigimos altares aos mártires para oferecer-lhes sacrifícios, mas ao Deus único, Deus dos mártires e nosso. São nesse sacrifício, nomeado em seu lugar e em sua ordem como homens de Deus que venceram o mundo, confessando seu nada. O sacerdote que oferece o sacrifício não os invoca, porque oferece a Deus e não a eles, embora ofereça em suas memórias. E sacerdote de Deus, não dos mártires.”
Santo Agostinho, A Cidade de Deus, livro XXII, 10.

No seu sentido etimológico, o verbo “dedicar” significa “proclamar solenemente”. A palavra “dedicação”, na sua origem, não tinha um sentido especificamente cristão. Estava presente na vida social e religiosa. “Dedicar” quer dizer destinar, atribuir, oferecer, inaugurar. Na Sagrada Escritura, a palavra “hanukka” (Nm 7,11; 2Cr 7, 5; Esd 6,16) foi traduzida para o grego como “encênia”, que significa inauguração. Designa a festa da dedicação do templo. No paganismo era comum a dedicação de um templo, de cidades, de teatros. Ainda hoje, é comum haver lançamento de livros e discos com a devida “dedicatória”.

As raízes bíblicas dos ritos de dedicação aparecem em Gn 28, 18 (dedicação de coluna de pedra); Nm 7, 10-11.84.88 (dedicação de altar); Dt 20, 5 (dedicação de casas), e sobretudo as diversas dedicações do templo, por Salomão (lRs 8, 1-66), por Esdras (Esd 6, 15-18) e a purificação do templo por Judas Macabeu (lMc 4, 36-59), renovada anualmente na festa da hanukká.

A dedicação de igrejas é um rito muito antigo, caracterizado pelo seu aspecto festivo e popular. Quando, em dezembro do ano 164 a.C., Judas Macabeu purificou o templo de Jerusalém e erigiu o altar, a festa de dedicação prolongou-se por oito dias (lMc 4,36-59). No tempo de Esdras, por ocasião da construção do segundo templo, a festa da dedicação durou sete dias e foram sacrificados cem touros, duzentos carneiros e quatrocentos cordeiros (Esd 6,15-18).

O Vaticano II apresenta a Igreja como o Povo de Deus reunido pela unidade do Pai, do Filho e do Espírito Santo (LG 4). É muito importante notar que ao fazer a reflexão sobre a Igreja, o Concílio não se limitou àquilo que é visível como, por exemplo, a sua organização, mas foi até o mistério, isto é, à fonte de onde jorra a Igreja: a comunhão da Santíssima Trindade.

O novo Ritual recupera a riqueza do rito da dedicação, inserindo-o dentro da celebração eucarística, que na igreja primitiva era em si, a própria dedicação. Na celebração da dedicação, o povo dá graças à Santíssima Trindade, porque neste lugar reside à glória do Senhor, é lugar de oração e súplica, de culto e adoração, de graça e santificação. É o lugar onde o povo cristão busca o Deus vivo e verdadeiro. A oração de dedicação tem justamente o objetivo de indicar que a igreja é dedicada a Deus. A igreja catedral é o lugar privilegiado de encontro com Deus, onde se recebe o tesouro da fé, partindo do batismo.

A IMPORTANCIA DA IGREJA CATEDRAL

Cristo é o único e principal templo de Deus que armou sua tenda no meio de nós e com seu mistério pascal faz também de nós templos vivos para a construção do seu reino, O templo verdadeiro é a humanidade de Jesus. Sobre este fundamento está construída a comunidade. O edifício, porém, não é casa de Deus, senão casa da igreja, casa da comunidade cristã. Jesus Cristo está presente, e Deus se faz presente não num lugar concreto, mas no povo reunido em seu nome.

A igreja-catedral tem um significado todo especial, pois é o lugar referencial teológico, sacramental e pastoral da Igreja diocesana. Em cada Igreja particular está presente toda Igreja de Cristo, uma, santa, católica e apostólica (LG 26). A catedral, porém, não simboliza apenas uma parte da Igreja, mas a Igreja na sua totalidade. A “Igreja” que se evoca, quando se fala da catedral, não é uma comunidade particular da diocese, não é uma paróquia, a “paróquia da catedral”, como se costuma dizer. A catedral é a igreja de toda a diocese e, como tal, simboliza toda a Igreja diocesana. Certamente por isso os documentos da Igreja orientam que os fiéis honrem devidamente a igreja catedral da sua diocese, considerando-a sinal da Igreja espiritual que, por sua vida de cristãos, são chamados a edificar e propagar (IGMR 22). Numa diocese, portanto, a catedral é o lugar de irradiação do mistério de Cristo, que se atualiza na celebração dos sacramentos, especialmente a eucaristia, fonte primordial da vida da Igreja.

Na catedral o altar é um centro gerador: tudo parte dele e tudo retorna para ele. É o pólo da comunidade celebrante. Não pode ser considerado apenas como uma peça a mais na igreja, mas como sinal permanente da presença do Cristo sacerdote e vítima, mesa do sacrifício e do convívio pascal. O altar é em si mesmo uma imagem do Cristo, é um mistério de fé e de espera, é o lugar onde reside a glória de Deus. O altar é o centro de tudo: do povo, da cidade, do mundo. O altar é o centro da Igreja e imagem dela.

A importância da palavra de Deus e da sua compreensão por parte da assembléia, requer também a valorização do lugar da palavra. Na celebração dos sacramentos é a proclamação da palavra que dá sentido ao rito sacramental. Há portanto uma íntima conexão entre altar e ambão, entre palavra de Deus e eucaristia, pois na missa temos essencialmente duas partes: a liturgia da palavra e a liturgia eucarística, formando um só ato de culto (cf. SC 56).

A sede presidencial também tem um forte sentido simbólico. Quando o bispo ou o presbítero está na cátedra é sinal do Cristo cabeça, sacerdote e mestre. A sédia deve manifestar essa união entre cabeça e corpo, entre Cristo e a Igreja, entre o presidente e a assembléia.

O lugar da fonte batismal também é um dos lugares mais importantes de uma igreja, especialmente da catedral. A fonte batismal é o seio materno da Igreja, onde os cristãos renascem para a vida em Cristo. O papel materno da Igreja é realizado especialmente na eucaristia, onde os cristãos se congregam ao redor do ambão e do altar, para se alimentarem do banquete da palavra e do corpo de Cristo (ODEA II, n°62).

As ações litúrgicas da catedral manifestam mais claramente o sentido eclesial, porque tem como ponto de referência o bispo, sucessor dos apóstolos. Assim, a celebração eucarística realizada na catedral presidida pelo bispo com seus presbíteros manifesta na sua plenitude a Igreja como assembléia do povo de Deus reunida. Na catedral a assembléia é como uma imagem refletida da Igreja. Esta manifestação se realiza também nas igrejas paroquiais e pequenas comunidades, que em comunhão com a catedral diocesana manifestam a visibilidade de toda a Igreja.

O Papa João Paulo II expressou bem esta relação igreja-edifício e Igreja-comunidade na sua homilia por ocasião da consagração da catedral de Almudena, na Espanha:

“Vemos a figura e contemplamos a realidade: vemos o templo e contemplamos a Igreja. Olhamos o edifício e penetramos no mistério. Porque este edifício nos revela, com beleza de seus símbolos, o mistério de Cristo e de sua Igreja. Na cátedra do bispo, descobrimos o Cristo Mestre, que graças à sucessão apostólica, nos ensina através dos tempos. No altar, vemos o Cristo no ato supremo da redenção. Na fonte batismal encontramos o sinal da Igreja, virgem e mãe que ilumina a vida de Deus no coração de seus filhos. E olhando para nós mesmos podemos dizer com São Paulo: “Sois o edifício de Deus... o templo de Deus é santo: esse templo são vocês (1Cor 3, 9.17).”

Pela sua força simbólica, a catedral se converte em casa de oração, em escola da verdade, lugar de escuta da palavra e lugar de elevação do espírito e de encontro com Deus. Amar e venerar a catedral é amar a Igreja como comunidade de pessoas unidas pela mesma fé, pela mesma liturgia e caridade. Assim, passados 40 anos do Concílio Vaticano II, é fundamental que a catedral, presidida pelo bispo com a participação do povo que forma a comunidade diocesana, seja expressão da igreja local viva e peregrina. Espera-se também que a catedral seja um centro modelador da liturgia e da evangelização, sendo assim expressão e sinal de toda a vida da comunidade diocesana.

Início da Página...

PostHeaderIcon Outras matérias

O que é um Santuário?

O que é uma Catedral?

Casais em Segunda União a igreja não vos esqueceu

Muito mais que Pedofilia

Minha Casa Acolhe e Serve


Retorne a Página Principal